Enxaqueca não é exagero. Não é frescura. Não é dor de cabeça que qualquer analgésico resolve. É uma doença neurológica crônica que afeta cerca de 15% da população brasileira e que, na maioria dos casos, nunca recebe diagnóstico correto. O resultado é que milhões de pessoas vivem tomando analgésico no início de cada crise, sem entender o que está acontecendo, sem tratamento preventivo e sem saber que existem opções terapêuticas que poderiam mudar completamente a qualidade de vida.
O que diferencia enxaqueca de uma dor de cabeça comum
Dor de cabeça tensional é a mais comum: bilateral, em pressão, de intensidade leve a moderada, que não piora com atividade física e não causa náusea intensa. Um analgésico comum resolve na maioria dos casos.
Enxaqueca tem características distintas: geralmente unilateral, em latejo, de intensidade moderada a grave, que piora com movimento e frequentemente vem acompanhada de náusea, vômito, sensibilidade à luz e ao som. Uma crise de enxaqueca pode durar de 4 a 72 horas e tornar qualquer atividade impossível.
Além disso, cerca de 25% das pessoas com enxaqueca têm aura: sintomas neurológicos que precedem a dor, como alterações visuais, formigamento em um lado do corpo ou dificuldade para falar. A aura é temporária e reversível, mas assusta quem não sabe o que é.
Por que o analgésico não é a resposta para a enxaqueca
Usar analgésico nas crises é parte do tratamento, mas não é suficiente quando as crises são frequentes. E tem um problema adicional: o uso de analgésico mais de dez dias por mês pode causar cefaleia por uso excessivo de medicamento, um fenômeno em que o próprio remédio passa a provocar dor de cabeça. A pessoa entra num ciclo difícil de sair sem orientação médica.
Enxaqueca frequente, definida como quatro ou mais crises por mês, tem indicação de tratamento preventivo. Existem medicamentos preventivos eficazes que reduzem significativamente a frequência e a intensidade das crises. Existem também tratamentos mais recentes, incluindo anticorpos monoclonais específicos para enxaqueca, para casos refratários.
O que o neurologista avalia em quem tem enxaqueca
O diagnóstico de enxaqueca é clínico: baseado nos sintomas que o paciente descreve. Não existe exame que confirme ou exclua enxaqueca. O que o neurologista faz é caracterizar o padrão de dor, identificar fatores desencadeantes, avaliar a frequência e o impacto na vida, e definir o tratamento mais adequado para aquele paciente específico.
Exames de imagem podem ser solicitados quando há características atípicas que justificam excluir outras causas, mas não são necessários na maioria dos casos de enxaqueca típica.
Quando procurar avaliação neurológica para a dor de cabeça
Se você tem dores de cabeça recorrentes que comprometem atividades, que requerem repouso, que vêm com náusea ou sensibilidade à luz, ou que não respondem bem a analgésico comum, uma avaliação neurológica é o caminho certo. Também se você está tomando analgésico mais de dez dias por mês para dor de cabeça.
Viver com enxaqueca sem tratamento é uma escolha que não precisa ser feita.
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